Dormir com a PHDA

Joana Amaral, Inês Vicente, Alexandra Oliveira, Mónica Vasconcelos, Núria Madureira e restante Equipa da Unidade de Défice de Atenção

INTRODUÇÃO: Nas últimas décadas, o sono tem sido extensivamente estudado em crianças com Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA). A relação entre PHDA e distúrbios do sono é inegável, ainda que muitas vezes seja difícil distinguir a causa da consequência. Se por um lado a PHDA poderá condicionar um sono mais agitado e menos eficiente, mais despertares nocturnos e resistência em adormecer, por outro, uma perturbação primária do sono poderá ser responsável por sintomas diurnos agitação psico-motora, impulsividade, desatenção e sonolência diurna.

A via etiológica comum, poderá, muito provavelmente, estar relacionada com a hipofunção do sistema dopaminérgico.

Apesar de terem sido realizados até hoje inúmeros estudos, existem vários obstáculos à obtenção de resultados reprodutíveis. O primeiro obstáculo resulta da falta de homogeneidade da população com PHDA que participa nos estudos, pelos diferentes subtipos de PHDA, pelos polimorfismos genéticos específicos, os quais podem influenciar a história natural e a própria resposta à terapêutica farmacológica. Em segundo lugar, os distúrbios primários do sono que frequentemente mimetizam os sintomas de PHDA e a existência de comorbidades psiquiátricas (e respectiva terapêutica associada) também podem conduzir a alterações na qualidade e padrão do sono. Um terceiro obstáculo prende-se com a dificuldade em objectivar as alteraçãoes do padrão do sono com o recurso a exames auxiliaries de diagnostico como o estudo poligráfico e a actigrafia, cujos resultados nem sempre são consistentes.

O efeito da medicação estimulante no sono da criança ou adolescente com PHDA é também frequentemente questionado, mas não deve ser responsabilizado pelas alterações no sono dos doentes com PHDA. As formulações de curta duração, principalmente se administradas ao final do dia, podem aumentar a dificuldade/resistência em adormecer e levar a atraso de fase do sono. A medicação deve ser preferencialmente administrada de manhã e deve evitar-se que o doente esteja em fase rebound na altura em que se for deitar, evitando, para isso, admistrações em horários mais vespertinos ou dando preferência a formulações de libertação mais lenta. No entanto, se os problemas de sono forem uma consequência dos sintomas de PHDA, o tratamento com estimulantes pode ajudar a criança a dormir melhor e consequentemente melhorar o seu funcionamento diurno.

Atendendo ao maior risco de problemas de sono das crianças com PHDA, o sono e hábitos de sono devem ser sempre questionados na consulta. O recurso ao acrónimo BEARS (Bedtime resistance, Excessive daytime sleepiness, Awakenings, Regularity, Snoring) poderá ser últil. A maioria dos problemas poderá ser diagnosticado clinicamente e tratado eficazmente com melhoria significativa da qualidade de sono. Não obstante a importância do reforço da higiene do sono, o ajuste da medicação estimulante e a utilização temprária da melatonina poderão ser necessários.

OBJETIVOS: Revisão sobre PHDA e sono, nomeadamente sobre os mecanismos etiopatogénicos, principais aspectos clínicos e terapêuticos. Caracterização dos hábitos de sono dos doentes com PHDA seguidos no Centro de Desenvolvimento da Criança- Dr Luis Borges.

MÉTODOS: Avaliação dos hábitos de sono de crianças e adolescentes com PHDA seguidos no Centro de Desenvolvimento da Criança- Dr Luis Borges, recorrendo aos seguintes questionários: em idade escolar (avaliação da qualidade do sono através da versão portuguesa do Sleep Habits Questionnaire); nos adolescentes (avaliação da qualidade do sono através da Escala de Sono de Pitsburg e avaliação da sonolência através do Questionário de Sono de Epworth).

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