PHDA na adolescência e na transição para a vida adulta: novas manifestações, novos desafios, nova abordagem clínica

Carlos Filipe

A Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA) é uma perturbação do Desenvolvimento do Sistema Nervoso que, tendo origem seguramente pré-natal, se manifesta cedo, tipicamente no início da idade escolar e cujas consequências se prolongam, quase sempre, por toda a vida.

O facto de as manifestações clínicas terem de ser necessariamente referenciadas à infância, não impede que, com frequência, o diagnóstico não seja feito nessas idades. Na verdade é grande o número de adolescentes e adultos com PHDA a quem o diagnóstico nunca foi feito.

A desatenção constante, a incapacidade de estar quieto e o insucesso escolar, quando presentes, são sinais de alerta para pais e professores. Mas nem sempre assim acontece. Por outro lado, o sucesso escolar, nomeadamente durante o 1º e 2º ciclos de escolaridade, não exclui o diagnóstico de PHDA. Sendo os conteúdos curriculares relativamente acessíveis, um aluno inteligente poderá assegurar um sucesso escolar relativo, mesmo estudando pouco e à última hora antes dos exames; é quando a complexidade dos curricula aumenta e se torna necessário um estudo continuado que as dificuldades de atenção e concentração se manifestam em toda a sua extensão. Por vezes mesmo só aquando da entrada na Universidade. Nesta fase, ainda, a diminuição da supervisão por parte de pais e de professores, própria da estrutura do ensino Universitário, pode revelar em toda a sua extensão a incapacidade do próprio para controlar a dispersão e gerir o tempo.

Quando se fala de Défice de Atenção, não falamos da incapacidade do indivíduo prestar atenção, ou de focar momentaneamente a atenção, mas sim da extrema dificuldade que tem em controlar de forma adequada a atenção dirigida. Seleccionar adequadamente o assunto a que se está a prestar atenção, ignorando todos os outros estímulos que não lhe são relacionados e manter essa atenção pelo tempo adequado (nem de mais nem de menos), são competências que uma estudante com PHDA não tem ou só consegue ter à custa de grande esforço. A noção subjectiva de estar sempre em esforço e de ter um rendimento abaixo do esperado são referências muito frequentes nestes jovens. A sensação de falhanço acompanha-as.

A adolescência é, por outro lado, um período durante o qual as manifestações resultantes da PHDA se podem revelar com particular exuberância. A impulsividade, as mudanças de humor, as práticas de risco, o insucesso escolar, a iniciação no consumo de drogas e álcool, as mudanças de objectivos, os projectos que se iniciam com entusiasmo e se largam de seguida, a “preguiça”, o desencontro dos ritmos de sono e vigília, os atrasos sistemáticas, são sinais que, sendo com frequência confundidas com manifestações consideradas próprias da adolescência, podem revelar a existência de uma PHDA. As perturbações do sono são também mais frequentes nos jovens com PHDA, que têm muitas vezes dificuldade em adormecer, um sono mais agitado e dificuldade em despertar pela manhã.

As Perturbações do Comportamento que se associam à PHDA levam finalmente a que estes jovens tenham uma tendência maior do que a maioria dos seus colegas para se envolverem em situações de risco, consumo de álcool e de drogas.

Finalmente, o facto de os adolescentes e adultos com PHDA estarem mais sujeitas do que a população em geral a sentirem determinadas dificuldades e a sofrerem acidentes, seja por impulsividade ou por descuido, bem como o facto de a PHDA surgir frequentemente associada a outras patologias psiquiátricas – nomeadamente as dependências de substâncias, a depressão e a ansiedade – ressaltam a importância do seu diagnóstico e tratamento, em todas as idades.  

É, por tudo isto, grande a importância de diagnosticar e tratar a PHDA não só nas crianças, como nos adolescentes e nos adultos. A PHDA é uma perturbação que pode ser tratada com grande sucesso. O tratamento adequado da PHDA não só diminui os sintomas da perturbação, como restitui à pessoa a possibilidade de usar as capacidades que realmente tem. Tratando a PHDA diminuem finalmente os riscos de aparecimento de outras perturbações que lhe estão frequentemente associados (v.g. ansiedade, depressão).

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