Risco de Suicídio e PHDA: contornos de uma relação

Raposo Gomes, J.1, Guimarães, M.1, Güete-Tur,O.1

1Centro Hospitalar do Algarve, Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital de Portimão

Introdução: em Portugal (INE, 2014) o Suicídio é das principais causas de morte em idades mais jovens (43,7% em menores de 65A). Estudos têm mostrado que, similarmente ao que acontece em adultos, jovens com ideação suicida (IS), têm pelo menos uma co-morbilidade psiquiátrica. Recentemente, tem crescido o interesse na possível relação entre PHDA e Suicídio, partindo da premissa de que pessoas com PHDA têm maior risco de co-morbilidades psiquiátricas. Existem várias metanálises em que se verifica a relação entre risco risco de suicídio (RS) e PHDA, no entanto pouco foram documentadas as co- morbilidades e condicionantes psicossociais.


Objectivo: Caracterizar quantitativamente e qualitativamente a relação PHDA-Suicidio. Pensar possíveis modelos etiológicos e conexões entre eles.


Métodos: pesquisa através da MEDLINE entre 2010 e 2017, recorrendo aos termos suicidalidade, Perturbação de hiperactividade e défice de atenção, suicídio. Selecionaram-se 19 artigos, em que se encontrou uma relação entre Suicídio e PHDA e que privilegiam a análise qualitativa dessa relação.


Resultados: em 32% dos artigos encontrou-se relação directa entre PHDA e Suicídio – independente de co-morbilidades e/ou outras circunstâncias psicossociais. Em 53% encontrou-se uma relação dependente de co-morbilidades (essencialmente Depressão) e outras circunstâncias psicossociais. 89% dos estudos estudaram PHDA com co-morbilidades, a maioria da população em estudo provinha de pessoas com PHDA seguidas em consulta. A maioria não estuda individualmente a variável Impulsividade. O tipo de suicídio não é descriminado (por impulso, premeditado) e um número expressivamente menor de estudos incide nos comportamentos auto-lesivos. Existem 3 pontos chave que sustentam a hipótese de que pessoas com diagnóstico de PHDA estão em particular risco para comportamento suicidário: regulação emocional, impulsividade e co-morbilidades/outras circunstâncias psicossociais. Integram-se essas mesmas reflectindo sobre o défice de controlo inibitório (presente na PHDA e relacionado com Risco de Suicídio).


Discussão e Conclusão: Apesar da importância dedicada à prevenção de Comportamentos Suicidários em Psiquiatria e Saúde Mental, poucos estudos se debruçam sobre o risco de Suicídio em pessoas com PHDA. O desenvolvimento de medidas mais efectivas é influenciado pela capacidade de identificar e modificar o risco – algo que ainda se encontra limitado pela nossa parca compreensão acerca dos mediadores e neurobiologia desta associação.

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